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Análise

Casamentos em alta e divórcios em queda: o que revelam os dados do IBGE sobre as famílias brasileiras

Por Lívia Ribeiro

19 de dezembro de 2025

Os dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir das Estatísticas do Registro Civil de 2024, divulgadas no dia 10 de dezembro de 2025, apontam para mudanças relevantes no comportamento familiar no Brasil. Após anos anteriores de oscilações, especialmente em razão da pandemia, o país registrou aumento no número de casamentos e, ao mesmo tempo, redução no número de divórcios, sinalizando novas dinâmicas nas relações afetivas.

Casamentos voltaram a crescer no Brasil

Em 2024, foram registrados quase 949 mil casamentos civis no país, o que representa um crescimento em relação ao ano anterior, que teve aproximadamente 941 mil. Embora o número ainda esteja abaixo dos patamares pré-pandemia, o dado confirma uma tendência de recuperação gradual das celebrações matrimoniais.

O levantamento também demonstra que os brasileiros têm optado por se casar mais tarde. A idade média ao casar passou a ser de 31,5 anos para os homens e 29,3 anos para as mulheres, refletindo, talvez, um maior planejamento da vida conjugal, estabilidade profissional e mudanças culturais sobre o momento de formalização das uniões.

Crescimento expressivo dos casamentos homoafetivos

Um dos destaques das Estatísticas do Registro Civil do ano de 2024 é o crescimento dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que avançaram em ritmo significativamente superior ao das uniões heteroafetivas.

Ao todo, foram registradas 12.187 celebrações homoafetivas no ano, marcando o quarto ano consecutivo de alta desde o início da série histórica, em 2013. O crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelos casamentos entre mulheres, que apresentaram aumento mais expressivo em comparação ao ano anterior.

Os dados reforçam o avanço do reconhecimento jurídico e social das famílias homoafetivas no Brasil, bem como a consolidação do casamento civil como instrumento de proteção patrimonial, sucessória e familiar para todos os casais.

Queda no número de divórcios

Na contramão do crescimento dos casamentos, o número de divórcios apresentou queda em 2024, totalizando cerca de 428.301 dissoluções, tanto judiciais quanto extrajudiciais. Trata-se de uma redução em relação ao ano de 2023, interrompendo uma sequência de anos de aumento.

Apesar da diminuição, o IBGE destaca que ainda não é possível afirmar uma tendência definitiva de queda. Os dados, contudo, indicam que os casais têm se divorciado mais cedo do que em anos anteriores, com redução do tempo médio entre o casamento e a dissolução da união.

Reflexos jurídicos e sociais

As estatísticas divulgadas pelo IBGE revelam transformações importantes nas estruturas familiares brasileiras, quais sejam: maior diversidade de relações familiares, adiamento do casamento, fortalecimento das uniões homoafetivas e mudanças na forma como os vínculos conjugais são estabelecidos e encerrados.

Nesse cenário, o Direito de Família e das Sucessões assume papel central na orientação prévia dos indivíduos, especialmente quanto à escolha do regime de bens, elaboração de pactos antenupciais, testamentos, planejamento patrimonial e soluções consensuais para os litígios familiares.

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